A participação brasileira na COP30, realizada em novembro deste ano, em Belém, no Pará, contou com a presença de representantes de diferentes regiões do país, entre eles a holambrense Afra Balazina, diretora de Mobilização da Fundação SOS Mata Atlântica.
Durante a conferência climática da ONU, Afra atuou em debates, eventos oficiais e articulações com representantes internacionais, levando ao centro das discussões a importância da Mata Atlântica no enfrentamento das mudanças climáticas e na conservação da biodiversidade.
“Como diretora de Mobilização da Fundação SOS Mata Atlântica, meu principal objetivo foi participar de eventos para falar sobre a Mata Atlântica, especialmente para o público internacional, ampliando o conhecimento sobre esse bioma tão importante e estimulando o apoio de pessoas e empresas à causa”, explicou. Além disso, ela acompanhou de perto as negociações entre os países e buscou influenciar positivamente o processo por meio do diálogo com diplomatas e representantes de governo.










A presença da conferência no Brasil teve, na avaliação de Afra, um significado político relevante. “Trazer o evento novamente para o Brasil, e especificamente para a Amazônia, foi uma demonstração clara de que o tema é relevante para o país e para o governo brasileiro, sinalizando compromisso com a agenda ambiental”, afirmou. Segundo ela, o país reúne desafios e soluções, sendo ao mesmo tempo um dos maiores emissores de gases de efeito estufa e detentor de uma matriz energética mais limpa, além de avanços recentes na redução do desmatamento.
Ao longo da COP30, Afra e a equipe da Fundação SOS Mata Atlântica participaram de 14 eventos. Entre os momentos mais marcantes, ela destacou o painel que mediou com mulheres de grandes empresas e a realização de um evento paralelo aprovado pela ONU na Zona Azul, espaço onde ocorrem as negociações oficiais. “Os eventos paralelos são muito disputados, por isso ficamos muito felizes com a aprovação – havia mais de 1.200 pedidos”, relatou. O encontro abordou a necessidade de integrar as agendas de clima e biodiversidade, em parceria com a Universidade de Oxford, o WWF Internacional e o Greenpeace Internacional.
Outra contribuição levada à conferência foi a defesa da restauração florestal como solução concreta e imediata. “Levamos para a COP a mensagem de que investir na restauração da Mata Atlântica, ou seja, no plantio de árvores de espécies nativas, é uma estratégia altamente eficaz tanto para o combate às mudanças climáticas quanto para a conservação da biodiversidade”, afirmou. A Fundação também obteve, junto à ONU, um espaço expositivo na Zona Azul para apresentar mapas dos biomas tropicais brasileiros e dados sobre sua atuação.
Na avaliação de Afra, apesar do cenário geopolítico complexo, a COP30 alcançou resultados relevantes. “Ainda assim, a COP conseguiu fechar 29 textos de decisões em consenso”, destacou. Ela lembrou que, sem o Acordo de Paris, o mundo caminharia para um aquecimento de cerca de 4 graus até o fim do século, enquanto hoje a projeção está entre 2,6 e 2,8 graus, ainda distante do limite seguro indicado pela ciência.
Para o período pós-COP, Afra ressaltou o compromisso assumido pela presidência brasileira da conferência, que segue até a próxima edição, com dois eixos centrais: a redução da dependência de combustíveis fósseis e o desmatamento zero. No caso da Mata Atlântica, o desafio é urgente. “Hoje restam apenas 24% da floresta original, sendo cerca de 12% de florestas maduras”, explicou. Segundo ela, nove dos 17 estados do bioma já atingiram o desmatamento zero, o que abre caminho para que a Mata Atlântica seja o primeiro bioma brasileiro a alcançar esse marco histórico.
Afra também destacou o papel da mobilização social diante da crise climática. “Sem pressão da sociedade civil, avanços reais dificilmente acontecem”, afirmou. Para ela, a pauta ambiental está diretamente ligada à qualidade de vida, à saúde e à justiça social. Ao comentar o impacto local do tema, a holambrense defendeu maior atenção ao planejamento urbano e ambiental. “Espero que Holambra também leve cada vez mais a sério esse tema que impacta enormemente a produção agrícola e que a gestão pública trabalhe tendo em vista a qualidade de vida da população da cidade, com plantio de mais árvores, cuidado com as áreas verdes e planejamento para redução de atividades poluidoras.”





