Capelinha da Borda da Mata preserva fé, memória e tradição em Holambra

Capelinha da Borda da Mata preserva fé, memória e tradição em Holambra

Na região da Borda da Mata, uma pequena capela mantém viva uma tradição marcada pela fé e pelo respeito à memória coletiva. Conhecida como Capelinha da Borda da Mata, a construção existe há mais de 70 anos, possivelmente entre as décadas de 1940 e 1950, e se consolidou como um local onde moradores depositam imagens religiosas, como santos, crucifixos e outros objetos de devoção.

Muitas dessas peças estão danificadas pelo tempo, mas, para a comunidade, não devem ser descartadas. O gesto simbólico de deixá-las na capelinha expressa devoção, pertencimento e respeito às crenças populares, transformando o espaço em um ponto silencioso de memória e espiritualidade.

Origem marcada pela memória popular

A origem da Capelinha da Borda da Mata está ligada a uma narrativa preservada pela tradição oral ao longo de décadas. Existem diferentes versões sobre sua história; para esta edição do Jornal da Cidade, publicamos o relato que segue.

Segundo relatos populares, a capela teria sido erguida no local onde ocorreu um crime trágico, envolvendo a morte de um homem de origem suíça, supostamente motivada por uma dívida não paga.

De acordo com a tradição oral, o autor do crime teria sido um trabalhador chamado Salvador, que enfrentava uma grave infecção no pé, já em estado avançado de gangrena. Sem receber o pagamento que lhe permitiria buscar tratamento médico, teria aguardado o patrão em uma estrada próxima à mata, onde o crime ocorreu.

Ainda segundo os relatos, Salvador tentou fugir, mas acabou entregue à polícia por alguém da própria família. Após cumprir pena, retornou a Holambra anos depois, marcado pelas sequelas físicas e vivendo de favores. Próximo do fim da vida, teria buscado abrigo justamente no local onde hoje se encontra a capelinha.

Embora a construção da capela seja anterior à saída de Salvador da prisão, com o passar do tempo o espaço passou a ser interpretado pela comunidade como um símbolo de arrependimento, fé e memória. A capelinha permanece até hoje como um marco silencioso de uma história que mistura fatos, crenças e lendas, preservada pelo imaginário popular.

Cabe ressaltar que não há registros históricos oficiais conhecidos que confirmem essa narrativa, tratando-se de uma tradição oral mantida pela memória coletiva da comunidade.

Preservação voluntária e cuidado coletivo

Há cerca de cinco anos, a Capelinha da Borda da Mata vem sendo cuidada de forma voluntária pelo grupo Amigos da Cachoeira. O trabalho inclui a manutenção do espaço, a limpeza do entorno e a preservação de seu valor simbólico, garantindo que o local continue sendo um ponto de fé, respeito e acolhimento.

Recentemente, a capelinha passou por uma reforma estrutural que reforçou suas paredes, telhado e melhorou suas condições de conservação. A intervenção foi realizada por voluntários, com apoio da Prefeitura, que contribuiu com materiais e mão de obra, em uma ação conjunta que evidencia a importância do cuidado comunitário com o patrimônio local.

Mais do que preservar uma pequena construção, a iniciativa protege a fé popular e as tradições culturais que atravessam gerações e fazem parte da identidade do interior brasileiro.

Assim, a Capelinha da Borda da Mata segue como símbolo de pertencimento, memória e responsabilidade compartilhada, um espaço simples, mas carregado de significados, que reafirma a preservação do patrimônio cultural como um exercício de cidadania.

(Divulgação Grupo Conviva)