Fogos de artifício: o sofrimento silencioso de pessoas, animais e os impactos na saúde pública

Fogos de artifício: o sofrimento silencioso de pessoas, animais e os impactos na saúde pública

Todo fim de ano, o debate se repete: fogos de artifício fazem mal a pessoas e animais. Muitos já ouviram isso e param de ler aqui. Mas a pergunta essencial é outra: o impacto termina quando o barulho acaba ou começa exatamente ali? Um som de poucos segundos pode desencadear consequências que duram horas, dias e em alguns casos, para sempre.

Os fogos podem ultrapassar 150 decibéis (dB), nível associado a risco imediato de danos auditivos, comparável a explosões ou tiros e mais intenso que uma turbina de avião. Esse ruído afeta diretamente pessoas no espectro autista (crises e sobrecarga sensorial), idosos (estresse, hipertensão e distúrbios do sono), bebês e crianças pequenas (sustos e crises respiratórias), pessoas com fobias sonoras (pânico e ansiedade), doenças respiratórias (agravamento de asma, rinite e sinusite) e acamados, geralmente mais sensíveis a estímulos externos.

Entre os animais, aves estão entre as mais afetadas: o estampido provoca desorientação, taquicardia e voos descontrolados, causando colisões contra paredes, janelas e fiações. Bandos inteiros abandonam ninhos durante a noite, deixando ovos e filhotes vulneráveis.

No caso de cães e gatos, o impacto vai além do medo. Enquanto o ouvido humano percebe sons de até cerca de 20.000 Hz, estudos indicam que cães captam frequências significativamente mais altas. Para eles, os fogos são percebidos como explosões ameaçadoras, ativando o instinto de luta ou fuga. Isso pode gerar pânico, tremores, taquicardia e tentativas desesperadas de escape, com quebra de portas, janelas, cercas e muros, resultando em ferimentos graves ou morte.

Como proteger seu animal: mantenha coleira com placa de identificação (nome e telefone). Prepare um ambiente seguro, com portas e janelas fechadas. Use música ou TV para reduzir o impacto do ruído e permaneça com o animal nos momentos mais intensos. Informe-se previamente sobre clínicas veterinárias de emergência e seus horários. Em apoio complementar, podem ser utilizados recursos naturais, como florais, quando indicados por Terapeuta Integrativo.

Atenção: durante as festas, mesmo com plantão veterinário, muitas especialidades não estão disponíveis, como oftalmologia, cardiologia, ortopedia, neurologia e exames avançados. Assim, lesões graves decorrentes de fugas e acidentes podem ficar sem diagnóstico ou tratamento imediato.

Além do ruído, fogos liberam partículas finas (PM2.5), que penetram profundamente nos pulmões e na corrente sanguínea, aumentando riscos de asma, doenças cardíacas, infartos e AVCs, com impacto direto na saúde pública e na qualidade do ar.

Esse conjunto de efeitos explica por que Cidades Inteligentes ao redor do mundo têm adotado fogos silenciosos ou eventos luminosos alternativos, conciliando celebração e beleza com segurança humana, ambiental e animal.

(Lílian Paulino é voluntária em ações de bem-estar animal. Seu trabalho integra visão sistêmica focada em Desenvolvimento Humano, Gestão de Projetos e Cidades Inteligentes. Instagram: @souprojetos)