Faleceu em Castro, no Paraná, Theodorus Johannes Hubertus van Mierlo, conhecido pelos holandeses como Jan e pelos brasileiros como João. Nascido em 15 de novembro de 1938, na Holanda, Van Mierlo construiu uma trajetória marcada pelo trabalho, pela dedicação e pela preservação da cultura holandesa no Brasil.
Chegou ao país aos 11 anos de idade juntamente com sua família. Inicialmente trabalhou ao lado do pai na criação de gado em Holambra (SP) e, posteriormente, em Castro (PR). Aos 25 anos, decidiu deixar as atividades rurais para aprender o ofício de marceneiro, profissão a qual se dedicou durante toda a vida.
Entre as inúmeras obras das quais participou, duas se destacam por sua relevância histórica e cultural: o Moinho de Castrolanda, em Castro, e o Moinho Povos Unidos, em Holambra. Atualmente, ambos são considerados importantes símbolos da imigração holandesa no Brasil e figuram entre as principais atrações turísticas de suas regiões.
Nas duas construções, Van Mierlo atuou como braço direito do mestre construtor holandês Jan Heijdra, desempenhando funções de intérprete e oficial de marcenaria. Seu trabalho exigia elevado grau de precisão e habilidade, uma vez que as estruturas de madeira dos moinhos eram montadas por meio de encaixes perfeitos, sem a utilização de pregos para fixação das peças.
Além de sua reconhecida competência como marceneiro, Jan van Mierlo foi o principal intérprete de Jan Heijdra durante as obras. Coube a ele fazer a ponte entre o arquiteto holandês e os trabalhadores brasileiros, contribuindo decisivamente para o sucesso dos projetos. Sua atuação na construção do Moinho Povos Unidos, em Holambra, foi especialmente marcante.
Viúvo e aposentado, residia em Castro, cidade onde viveu a maior parte de sua vida. Apesar da distância, mantinha estreitos laços com seus dez irmãos e irmãs, muitos dos quais vivem atualmente em Holambra.
A trajetória de Jan van Mierlo confunde-se com a própria história da preservação da herança cultural holandesa no Brasil. Seu trabalho ajudou a perpetuar conhecimentos tradicionais de construção e a fortalecer os laços entre as culturas holandesa e brasileira, contribuindo para a formação de um país plural e multicultural.
Com sua partida, familiares, amigos e admiradores perdem um homem simples e dedicado, cuja contribuição permanecerá viva nas imponentes estruturas que ajudou a erguer e que continuam a encantar visitantes de todo o Brasil.
(Jaime Pacheco)