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Publicado às 07h28

Se estivesse vivo, o arquiteto de moinhos Jan Heijdra teria completado 100 anos na última quarta-feira, dia 19. Nascido na Holanda em 19 de agosto de 1926, Heijdra foi responsável pela construção do moinho de Holambra e dedicou grande parte de sua vida à preservação e construção de moinhos de vento. Ele morreu em 11 de janeiro de 2016, aos 89 anos.

Segundo informações do livro “Moinho Povos Unidos: O Gigante de Holambra”, publicado pela Editora Setembro, a relação de Heijdra com os moinhos começou ainda na adolescência. Aos 14 anos, iniciou o aprendizado afiando pedras-mó e, posteriormente, passou a dominar outras funções relacionadas à construção, manutenção e restauração dessas estruturas. Autodidata, não frequentou a Faculdade de Arquitetura de Moinhos, que havia sido desativada em 1936 em razão da redução do uso dessas construções na Holanda.

O conhecimento adquirido ao longo dos anos, no entanto, levou Heijdra a ser nomeado pela Realeza Holandesa como Arquiteto de Reforma, Restauração e Construção de Moinhos, tornando-se funcionário da monarquia. Durante sua carreira, restaurou mais de 400 moinhos na Holanda.

Mesmo depois de se aposentar, continuou atuando como consultor técnico na construção de novos moinhos. Seu trabalho ultrapassou as fronteiras holandesas, com participação em projetos na Nova Zelândia, Polônia, Alemanha, Bélgica e Brasil. Ao todo, participou da construção de 23 novos moinhos em diferentes países.

Um moinho verdadeiro em Holambra — A construção do moinho de Holambra ocorreu em uma fase posterior na carreira de Heijdra. Antes de aceitar o projeto, o construtor já havia participado da construção do moinho de Castrolanda, no Paraná, trabalho que desenvolveu de forma voluntária. Ao falar sobre a obra, destacou que havia aceitado participar por se tratar de um moinho destinado à moagem de grãos, e não apenas de um monumento.

Em Holambra, a proposta também era construir um moinho funcional, e não uma réplica decorativa. A complexidade da obra fez com que a participação de um profissional com experiência específica fosse considerada fundamental. Heijdra foi então convidado a assumir a construção, mas estabeleceu algumas condições para aceitar a empreitada.

As exigências apresentadas pelo construtor ficaram registradas em uma reunião realizada em novembro, considerada uma das primeiras formalizações dos passos para a construção do moinho. Entre os responsáveis pela articulação para convencê-lo a assumir o projeto estavam Tony Hulshof e Leo Rietjens, que se empenharam pessoalmente nas negociações.

Heijdra tinha quase 82 anos quando recebeu o convite e já se preparava para encerrar suas atividades profissionais. Ainda assim, aceitou participar da construção do moinho de Holambra, desde que as condições estabelecidas por ele fossem respeitadas.

A obra tornou-se parte da paisagem e da identidade de Holambra, mantendo a tradição dos moinhos holandeses no município. A construção também representa parte do legado deixado por Heijdra, que dedicou décadas ao conhecimento, à preservação e à construção dessas estruturas.

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