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Endividamento das famílias cresce e exige atenção

Publicado às 08h52

O endividamento das famílias brasileiras segue em alta e preocupa especialistas diante do cenário de inflação, juros elevados e aumento do custo de vida. Dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) apontam que, em abril de 2026, 80,9% das famílias estavam endividadas e 29,7% tinham contas em atraso.

Para o economista e professor livre-docente da Universidade Estadual de Campinas, Marco Milani, o problema não está necessariamente em possuir dívidas, mas na forma como elas são administradas. Segundo ele, grande parte do endividamento atual está relacionada ao consumo imediato e ao uso de crédito com juros elevados.

“Estar endividado não é, por si só, um problema, desde que a dívida seja planejada, compatível com a renda e administrada corretamente. O ponto preocupante é que parcela expressiva dessas dívidas está vinculada ao consumo de curto prazo, e não à formação de patrimônio”, explica.

De acordo com o economista, o uso intenso do cartão de crédito, aliado ao orçamento doméstico pressionado, tem contribuído diretamente para o crescimento da inadimplência. Ele destaca que muitos consumidores acabam confundindo limite de crédito com renda disponível, comprometendo parcelas cada vez maiores da renda mensal.

Marco Milani é economista e professor livre-docente da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas)

Entre os erros mais comuns, Milani cita o pagamento do valor mínimo da fatura do cartão, o parcelamento de despesas recorrentes e a contratação de empréstimos caros para cobrir gastos cotidianos. “Pequenas decisões mal planejadas podem gerar uma bola de neve, sobretudo quando a família usa cartão, cheque especial ou crédito pessoal para compensar a perda de poder de compra”, afirma.

Para famílias que já enfrentam dificuldades financeiras, o especialista recomenda reorganizar imediatamente o orçamento, separando despesas essenciais das supérfluas e evitando novas parcelas. Outra medida importante é renegociar dívidas antes que o atraso evolua para inadimplência.

“A recomendação é priorizar o pagamento das dívidas mais caras e renegociar antes que o atraso se torne inadimplência. O problema não é apenas quanto se deve, mas se a dívida cabe na renda futura da família”, ressalta.

Segundo Milani, as dívidas que exigem maior atenção neste momento são as relacionadas ao cartão de crédito rotativo e ao crédito pessoal, devido às taxas elevadas de juros e ao rápido crescimento do saldo devedor. Ele orienta que consumidores busquem substituir dívidas caras por linhas de crédito mais baratas e organizem as contas considerando taxa de juros, valor das parcelas e risco de atraso.

Além do controle financeiro, o economista defende a adoção de hábitos preventivos para evitar novos ciclos de endividamento. Entre eles estão a criação de uma reserva de emergência, o planejamento de compras de maior valor e o diálogo familiar sobre orçamento e prioridades.

“Em síntese, a melhor proteção contra um novo ciclo de endividamento é transformar o crédito em instrumento ocasional e planejado, não em complemento permanente da renda”, conclui.

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