Orelhões entram em fase final de retirada das ruas de Holambra

Orelhões entram em fase final de retirada das ruas de Holambra

Os tradicionais orelhões, que por décadas fizeram parte da paisagem urbana brasileira, estão com os dias contados. Em Holambra, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações, ainda existem 22 telefones públicos ativos, mas é difícil encontrá-los pelo município. O que restam são apenas as “carcaças” desses equipamentos, alguns icônicos, como o que ainda pode ser encontrado no recinto da Expoflora.

Apesar disso, todos os orelhões do Brasil estão incluídos no processo nacional de desativação iniciado neste mês. A retirada dos aparelhos ocorre após o encerramento das concessões do serviço de telefonia fixa, firmadas em 1998 e finalizadas em dezembro de 2025. Com o término dos contratos, operadoras como Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica deixam de ter a obrigação legal de manter a infraestrutura dos telefones de uso público em funcionamento.

O processo de retirada, no entanto, não acontece de forma imediata em todos os municípios. A Anatel estabeleceu um cronograma gradual que prevê, a partir de janeiro, a remoção em larga escala de carcaças e aparelhos já desativados. Os orelhões deverão ser mantidos apenas de forma temporária em localidades sem cobertura de telefonia móvel, com prazo máximo até o final de 2028.

Em todo o país, cerca de 30 mil telefones públicos ainda existentes têm aposentadoria prevista até 2028. Apenas aproximadamente 9 mil deverão permanecer ativos provisoriamente em cidades onde não há, ao menos, sinal de telefonia móvel 4G.

Como contrapartida pela extinção do serviço, a Anatel determinou que os recursos antes destinados à manutenção dos orelhões sejam redirecionados para investimentos em banda larga e telefonia móvel. Entre os compromissos assumidos pelas empresas estão a implantação de redes de fibra óptica, instalação de antenas de telefonia celular, ampliação da cobertura móvel em municípios, conectividade em escolas públicas e construção de data centers.

Lançados em 1972, os orelhões têm design assinado pela arquiteta Chu Ming Silveira, chinesa radicada no Brasil, e chegaram a somar mais de 1,5 milhão de terminais em funcionamento no país. Com o avanço das tecnologias digitais e a popularização dos celulares, o serviço perdeu relevância ao longo dos anos, culminando agora em sua desativação definitiva.

A Anatel destaca que a mudança do regime de concessão para o modelo de autorizações privadas busca estimular novos investimentos em infraestrutura de telecomunicações.