Notícia

Mães de afeto: mulheres transformam cuidado em legado para crianças e idosos

Publicado às 08h32

Nem toda maternidade nasce da biologia. Algumas florescem nos corredores de projetos sociais, nos encontros dos escoteiros, nas salas de aula, no cuidado silencioso com idosos ou nos abraços oferecidos em momentos difíceis. Em comum, mulheres que transformam presença em acolhimento, escuta em proteção e afeto em aprendizado.

Neste Dia das Mães, histórias de mulheres que dedicam a vida ao cuidado mostram que ser mãe também pode significar educar, orientar, inspirar e permanecer ao lado de alguém nos momentos mais importantes da vida.
Moradora de Holambra desde que nasceu, Glória Maria Domhof construiu sua trajetória entre o cuidado e a educação. Enfermeira de formação, ela atua há quatro décadas como líder e coordenadora pedagógica dos Escoteiros, acompanhando gerações de crianças e adolescentes.

Ao falar sobre o vínculo criado com os jovens, Glória descreve uma relação construída no cotidiano, especialmente nos momentos de fragilidade. “São muitos os momentos, quando as crianças e adolescentes estão tristes, quando precisam superar obstáculos ou desafios, em acampamentos, ou seja, muitas vezes.”

Glória com o marido e os filhos

Ela conta que o afeto surge da convivência e da confiança construída ao longo dos anos. “É um sentimento muito bom, principalmente quando ganhamos a confiança deles, quando há reciprocidade. O impacto neles acredito ser grande, pois onde estou eles vêm conversar comigo. Até hoje ex-escoteiros falam de suas vivências, experiências e aprendizados. Acredito que essa é a melhor colheita, fazendo bem para eles e para mim também.”
Mãe de Tamy, Charles e Eike, Glória acredita que o exemplo é uma das formas mais fortes de ensinar. “Eu acredito e prego sempre que nós somos exemplo, o espelho para eles.”

Entre as lembranças que guarda com carinho, está a carta de uma ex-escoteira agradecendo pelos ensinamentos recebidos durante a vida escoteira e que, segundo ela, foram fundamentais para conquistar uma vaga na faculdade. Outro momento marcante veio do próprio filho, durante uma ligação da Irlanda. “Ele disse: ‘Estou ligando para agradecer a boa educação e todas as oportunidades que vocês me proporcionaram. Eu vejo o quanto valor isso me trouxe’.”

Para Glória, educar vai além da transmissão de conhecimento. “Educação é tudo e começa em casa, com pai e mãe, e a sociedade complementa. É tocar uma vida para sempre, uma educação com regras, limites, muita conversa, afeto e amor.”

Quem também transformou o cuidado em missão de vida foi Julia Honório de Almeida, cuidadora de idosos e mãe de três filhos: Max, Maurício e Adriano.

Julia Honório de Almeida e os filhos e netos.

Ao resumir o significado do trabalho que realiza diariamente, Julia associa cuidado ao amor e à dedicação. “Todo trabalho que fazemos tem que ser com responsabilidade e dedicação. Cuidar é amor e compreensão.”
Para ela, o ato de cuidar exige sensibilidade e entrega, qualidades frequentemente associadas ao universo materno e que também se fazem presentes no acolhimento aos idosos.

“É muito gratificante este vínculo, pois eu cuido e recebo um sorriso, um aperto de mão, um ‘muito obrigada por se preocupar comigo’. São valores que não tem preço”, avalia.

Dedidação aos pequenos

Já Fernanda da Conceição Pinto Ramalho encontrou no trabalho social uma forma de exercer o cuidado e a maternidade afetiva. Professora de inglês aposentada, ela vive atualmente em São Paulo, onde atua como gestora do projeto “Crianças e Jovens no Caminho do Senhor Jesus”, desenvolvido com crianças e adolescentes da comunidade da Vila Barbosa, no bairro do Limão.

Embora não seja mãe biológica, Fernanda afirma que a maternidade pode nascer da convivência e do compromisso emocional com o outro. “Ser mãe não depende apenas de biologia. Ser mãe é cuidar, amar, educar e estar presente na vida de uma criança, de um jovem, oferecendo segurança e afeto. A maternidade nasce do coração.”

Fernanda da Conceição Pinto Ramalho

Segundo ela, o acolhimento aparece nos detalhes mais simples. “É no abraço, no beijo afetuoso, nas palavras de carinho e na escuta verdadeira que elas sentem que não estão sozinhas.”

No dia a dia do projeto social, Fernanda percebe que os vínculos afetivos ajudam crianças e jovens a desenvolver confiança e autoestima. “Elas aprendem que são valorizadas, que têm voz e que podem acreditar em si mesmas. Esse tipo de vínculo contribui para formar cidadãos mais conscientes e seguros.”

Ao refletir sobre o Dia das Mães, ela faz um convite à empatia. “Talvez o maior erro da sociedade seja exigir perfeição de quem também precisa de cuidado. Ser mãe não é sobre ser perfeita, é sobre, mesmo em meio às imperfeições, continuar tentando amar.”

Mais do que homenagear mães biológicas, as histórias de Glória, Julia e Fernanda revelam que o amor materno também se manifesta em mulheres que acolhem, educam e transformam vidas nos mais diferentes espaços da sociedade. Em cada gesto de cuidado, conselho ou presença, elas ajudam a construir um futuro mais humano e solidário.

Mais do jornal

Últimas notícias

QR code do WhatsApp do jornal

Receba a edição semanal

Receba as novidades do JC Holambra no WhatsApp

Aponte a câmera para o QR code ou toque no botão abaixo para receber as novidades do JC Holambra.

Receber novidades no WhatsApp